Como parte do Pilar III (Comunidade e Capacitação) do projeto conjunto entre LA Referencia e Lyrasis, iniciamos uma série de entrevistas destinadas a documentar e compartilhar as experiências de instituições que lideraram a transição para versões modernas do DSpace (7.x, 8.x e 9.x) em nossa região.
O objetivo central desta iniciativa é transformar os desafios técnicos e as decisões estratégicas de cada instituição em um recurso de aprendizagem coletiva, permitindo reduzir a lacuna tecnológica por meio do intercâmbio de lições aprendidas.
Nesta edição, destacamos a experiência da Universidad Católica del Maule (Chile), que concluiu com sucesso um processo de unificação e atualização tecnológica para o DSpace 8.1, fortalecendo a visibilidade de sua produção científica institucional.
I. Informações Gerais e Responsáveis
Para iniciar este caso de sucesso, a Universidad Católica del Maule (Chile) compartilha conosco os detalhes de quem esteve à frente deste processo. A liderança técnica e a execução da migração ficaram a cargo de Javier Caro Aguilera(jcaro@ucm.cl) e Fabián Arellano Calderón (farellanoc@ucm.cl). O repositório institucional em produção já está disponível para consulta pública na URL: https://repositorioinstitucional.ucm.cl.
II. Perfil Tecnológico da Migração
Um dos aspectos mais interessantes deste caso é o salto tecnológico realizado. Ao consultarmos sobre as versões de origem e de destino, a equipe explicou:
“Unificamos dois repositórios em suas versões 5.6 do DSpace e 7.1 do DSpace Cris para a versão 8.1 do DSpace”.
A respeito da arquitetura de implantação selecionada para suportar esta nova infraestrutura, destacaram o uso de uma:
“Instalação manual, com servidor virtualizado QEMU Virtual CPU versão 2.5+ 4 CPU(s), 12GB RAM, 100GB SSD, Ubuntu 24.04.2 LTS”.
Um ponto fundamental para o projeto é saber se os recursos gerados são úteis. Ao perguntarmos se utilizaram a documentação oficial traduzida pelo projeto (em uma escala de 1 a 5), a resposta foi contundente:
“Escala 5: a documentação serviu de guia durante todo o processo de instalação e migração”.
III. Desafios e Soluções
A gestão de dados costuma ser o maior desafio. Ao pedir que descrevessem seus processos de limpeza de metadados ou banco de dados, detalharam sua estratégia de “instalação limpa”:
“Nossa migração consistiu em realizar a instalação limpa da versão 8.1 do DSpace e coletar (harvesting) os metadados de ambos os repositórios com o objetivo de unificá-los (DSpace 5.6 e DSpace Cris 7.1) na versão mais recente instalada. Posteriormente, foi realizada uma limpeza dos metadados coletados no DSpace 8.1”.
Sobre a Interface de Usuário (UI) e a complexidade da transição do JSPUI/XMLUI para o novo frontend em Angular, assim como o nível de personalização, comentaram:
“A personalização dos diferentes templates foi o processo mais complexo, pois era uma experiência nova para nós, tendo que identificar a localização dos diversos templates a serem editados.
A personalização foi feita integralmente no DSpace 8.1, não houve migração das versões anteriores, e foram feitas alterações visando dar identidade ao site, utilizando o formato institucional.
As alterações envolveram a personalização de cores, do template da página inicial, do template de itens e coleções.”.
Quanto à visualização de estatísticas na nova versão, a equipe esclareceu a situação atual de seus relatórios:
“Por ser uma instalação limpa, infelizmente as estatísticas se perdem, mas mantemos os relatórios correspondentes dos repositórios anteriores e a evidência correspondente”.
IV. Interação com o Projeto
A colaboração com a comunidade é um pilar estratégico. Ao perguntarmos sobre o suporte técnico e se abriram tickets ou participaram dos ciclos de intervenção da LA Referencia-Lyrasis, destacaram:
“Sim, abrimos um chamado (ticket) e também participamos dos ciclos de intervenção, além de compartilharmos com a comunidade do Discord.
Achamos uma grata experiência poder contar com a ajuda de um suporte especializado, bem como ter participado do ciclo fechado onde compartilhamos nossa experiência com diferentes universidades da região”.
Sobre a capacitação e a participação nas Open Hours, mencionaram:
“Participamos como ouvintes na maioria das Open Hours dedicadas à migração do DSpace e também compartilhamos nossa experiência na Sexta Open Hour”.
V. Lições Aprendidas e Próximos Passos
Finalmente, pedimos um conselho para outras instituições que estejam prestes a iniciar sua migração, ao que responderam:
“Antes de iniciar a mudança, considere a possibilidade de migrar para a versão mais atualizada e estável disponível. Além disso, avalie se a migração será feita por meio da transferência do banco de dados ou utilizando a coleta (harvesting), observando os prós e os contras. Também consideramos extremamente importante e útil ter uma versão de testes antes de aplicar qualquer alteração em produção”.
Olhando para o futuro, seus próximos passos incluem funcionalidades avançadas:
“Nosso próximo passo será atualizar para a versão 9 mais estável, a fim de incorporar melhorias substanciais em segurança e experiência do usuário, alinhando-nos ao desenvolvimento da versão. Além disso, planejamos robustecer os metadados existentes, o que nos ajudará a aumentar o valor estratégico e comunicacional da informação científica”.